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"BANDEIRA BRANCA, SINAL VERMELHO"

Meu primeiro livro, "Bandeira branca, sinal vermelho", já está disponível em <Clube de autores>. É uma antologia de contos curtos, tratando de questões relacionadas às identidades.
Leia!
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Preta, Clarinha

(Um dos contos de "Bandeira branca, sinal vermelho")                 Clarinha não percebeu quando a amiga voltou de mais uma investida mal sucedida a um motorista sozinho num carro parado naquele cruzamento da Avenida Atlântica. Apesar de cotidiana, a frustração não doía menos com o passar do tempo (“será que hoje alguém vai me amar?”). Era nesses momentos que Mellanie, nascida João Roberto, demonstrava sua fragilidade: gargalhando alheia à bigorna que lhe crescia no peito, xingando o motorista a plenos pulmões, ou, o mais frequente no fim das madrugadas, baixando a cabeça, sentando no meio-fio e chorando em silêncio.
               Clarinha nem viu a amiga se enroscar a seus pés, humilhada como um cão. Estava atônita com outro quadro. A poucos metros, amontoadas na calçada, três pessoas dormiam: um homem, uma mulher e uma criança pequena. Aparentemente uma família. Certamente uma família, porque o quadro era bem mais do que apenas familiar. A moça via ali, deitados no chão…

Sobre a GREVE GERAL de 28/04/2017

“Sou funcionário público concursado, não dependo da CLT, não dependo da Previdência Social, essas reformas não me atingem. Essa greve não é um problema meu.”
Ok. Qualquer servidor público poderia pensar desse jeito. Em tese. E só em tese. Porque, na prática, os servidores do Estado do Rio de Janeiro infelizmente já estão vendo que não é bem assim: salários atrasados, direitos desrespeitados, instituições sucateadas e à beira da extinção, insegurança total.
Na prática, as DEformas propostas pelo DESgoverno federal atingem a todos nós. Por isso essa greve é, sim, um problema de todos nós. Um “problema” não: uma CAUSA.
Porque, sem dúvida, o ataque à CLT atingirá a milhões de trabalhadores que, hoje em dia, lutam com cada vez mais dificuldade por uma vida digna. Porque, ainda sem nenhuma dúvida, o ataque à CLT massacrará milhões de desempregados que, hoje em dia, fariam qualquer coisa, se submeteriam às condições de trabalho mais adversas, inclusive as análogas à escravidão, para ter um …

BANDEIRA BRANCA

Bandeira branca! Queremos paz!

Chega de feminismos! Basta de querer reformar o mundo, igualando aqueles que a natureza fez evidentemente diferentes! Desde sempre existiram apenas dois sexos: o masculino e o feminino. Desde sempre couberam aos machos as duras tarefas da caça e da preservação da espécie por meio da disseminação do sêmen; às fêmeas sempre coube o nobre papel de protetoras das crias e cuidadoras dos lares. Cada um com seu cada qual! Não é o suficiente?!?! Sim, é fato que durante o último carnaval, só no Rio de Janeiro (cenário do “maior espetáculo da Terra”), uma mulher foi agredida a cada quatro minutos. Também parece fato que o atual presidente da “maior potência do planeta” assumiu ter insistido no “sim” quando mulheres lhe tinham dito “não”. Mas são casos isolados. Ou melhor: a violência é um traço do caráter humano; não há nela nada de específico contra as mulheres!

Bandeira branca! Queremos paz!

Chega de ativismo LGBT! Basta de querer reformar o mundo, igualando aquele…

Respeitem o professor!

Sou professor. Quer dizer: estudei e sou pago para ensinar, para declarar publicamente as coisas que aprendi; sou alguém que faz da divulgação daquilo que estudou uma prática, um rito. Ou uma "religião" - na visão dos românticos defensores da tese "magistério é sacerdócio".
É na condição de professor que me vejo aqui, de novo, em pleno exercício do "textão". Porque, sinceramente, dói ver tanta gente repetindo a torto e a direito tanta bobagem sobre "educação", "escola" e, principalmente, sobre "ideologia". Cansei de apanhar quieto.
Não vou ficar plagiando dicionários. Qualquer pessoa com um mínimo de boa vontade e honestidade intelectual procura algum deles antes de abrir a boca para usar uma palavra como se fosse sua íntima. Também não vou bancar o sociólogo - o que não sou, por sorte ou azar. Vou falar nisso da perspectiva que minha formação permite: a de um profissional de educação com boa formação acadêmica na área dos estu…

Mal querer

A boca que vejo não me beija se só bem me quer. Querer bem é bem pouco prum bom beijo  - louco...
(logo logo longo licorino lustro latejante)
Querer bem é bem pouco. Prum bom beijo é preciso um quê de mal querer: de mal querer esperar, mal querer entender, mal querer resistir, mal querer convencer do óbvio:
que não tem mal na gente só querer.

"Fazer amor"... "ou não".

"Fazer amor" só faz realmente sentido em manhãs chuvosas e mais ou menos frias de domingo.        É claro que é possível e (com alguma sorte) muito bom manter relações sexuais, transar em quaisquer outros dias e horários. Não nego, em absoluto, as delícias que noites quentes e convulsas de sextas ou sábados podem reservar, nem o êxtase instantâneo que um corre-corre em horário comercial é capaz de promover - sobretudo se no intervalo do almoço de uma segunda-feira armagedônica, por exemplo. Não nego o potencial desses prazeres, repito. Mas afirmo: momentos assim não se comparam ao "fazer amor". "Fazer amor" só é literalmente possível na moldura de uma manhã chuvosa e temperada de domingo, quando dia e noite se aconchegam em finos lençóis de névoa úmida e fria, e até a luz do sol reluta em se apartar das ventosas felpudas da penumbra, tímida.         Nessas manhãs perfeitas para o amor ser feito, frio e chuva não são intensos. A chuva é só sufic…