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"BANDEIRA BRANCA, SINAL VERMELHO"





Meu primeiro livro, "Bandeira branca, sinal vermelho", já está disponível em <Clube de autores>. É uma antologia de contos curtos, tratando de questões relacionadas às identidades.
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Era uma vez (ou Um conto de fodas)

Era uma vez uma senhora de idade incerta e duvidosa chamada Democracia. Uns diziam que ela era muito velha; ela, por sua vez, sempre que perguntada sorria ambígua e afirmava ainda nem ter nascido de verdade. Certo é que a Democracia já tinha tido vários casos: Tribos, Impérios... e Repúblicas também, sem problemas com o gênero de sua eventual companhia.
                Não tinha se casado com ninguém, não tinha filhos. Cansada de se entregar e ser traída, ela havia resolvido viver de momentos. Carpe diem, dizia.
                Mas – como acontece com todo mundo – um dia a Democracia se apaixonou de verdade. Achou que daquela vez seria pra sempre. Era um garotão espadaúdo de nome Mercado. Falastrão, ele repetia a toda hora que era “liberal” e esse era seu maior “mérito”.
                Chegou de mansinho, acenou, flertou, mandou flores (artificiais), chamou pra jantar, dançar, e, quando a Democracia deu por si, eles já andavam de braços dados, como se fossem amantes desde sempre. De …

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Em meio a assaltos, arrastões, balas perdidas, tiroteios, sequestros-relâmpago, tráfico de drogas e crimes de colarinho branco por toda parte, é bastante difícil compreender e praticar a caridade – ampla e irrestrita, como a maioria das religiões prega, aquela sem a qual espíritas e umbandistas acreditam que “não há salvação”. Ainda assim, ou justamente por isso, é importantíssimo pensar sobre o assunto de maneira lúcida, cuidadosa. Essa é a condição para fugir da simplificação tola, da incoerência e, no limite, da pura reprodução do mal.
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