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"BANDEIRA BRANCA, SINAL VERMELHO"





Meu primeiro livro, "Bandeira branca, sinal vermelho", já está disponível em <Clube de autores>. É uma antologia de contos curtos, tratando de questões relacionadas às identidades.
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Preta, Clarinha

(Um dos contos de "Bandeira branca, sinal vermelho")                 Clarinha não percebeu quando a amiga voltou de mais uma investida mal sucedida a um motorista sozinho num carro parado naquele cruzamento da Avenida Atlântica. Apesar de cotidiana, a frustração não doía menos com o passar do tempo (“ será que hoje alguém vai me amar? ”). Era nesses momentos que Mellanie, nascida João Roberto, demonstrava sua fragilidade: gargalhando alheia à bigorna que lhe crescia no peito, xingando o motorista a plenos pulmões, ou, o mais frequente no fim das madrugadas, baixando a cabeça, sentando no meio-fio e chorando em silêncio.                Clarinha nem viu a amiga se enroscar a seus pés, humilhada como um cão. Estava atônita com outro quadro. A poucos metros, amontoadas na calçada, três pessoas dormiam: um homem, uma mulher e uma criança pequena. Aparentemente uma família....

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Peço perdão antecipadamente àqueles que por acaso se sentirem agredidos ou nauseados com o apelo relativamente escatológico do meu argumento. Vou tentar compensar isso com uma também relativa formalidade linguístico-textual, um certo rebuscamento que, longe de ser índice de pedantismo, só pretende mesmo despistar um pouco os mais preguiçosos e/ou menos inteligentes. Feito esse introito pouco convencional, mas muito útil aos meus propósitos argumentativos, digo a que venho: falar de novo da polêmica chata e anacrônica (no sentido convencional, não naquele que a filosofia contemporânea emprestou ao termo) em torno do tema da homossexualidade, controvérsia hipertrofiada no Brasil das últimas horas por conta do beijo de Félix e Nico no capítulo final da novela “Amor à vida”, da Rede Globo. Eu poderia falar da miopia daqueles que, colocando em foco apenas o beijo entre aqueles dois personagens, se esquecem, por exemplo, do momento (isso mesmo: não foi um “ happy end ”, foi apenas um...

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