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Se me dizes "Ancas!"




Ancorei minhas esperanças
na espera de tuas ancas.
Cá estou.
Dispenso carinhos supérfluos
- nada de vênias, pelúcias, danças... -:
só beijo, molejo e
arquejo.
Tudo sanguineamente ritmado
por tuas ancas.

Pois é nelas que começo meu mergulho rumo
ao meio de tuas coxas grossas.
Longe delas só há erro;
só no seu úmido submundo
se é rei.
Se errei? Sin.
Mas foi só por sabor seu saber.
E por só no fundo super-úmido
de tua platônica caverna
eu querer ser sombra
(se não, sou sobra,
resto irreal).

Então cessa logo essa nossa espera,
ou me desancas...
Mas, se
me dizes "Ancas!",
me tens reto e direto,
concreto.

E vou.

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